O que tenho visto na quarentena

Artigo de opinião sobre o envolvimento da Igreja com a política partidária

A RES É PÚBLICA, MAS A COSA É NOSTRA - Por Ed René Kvitz

O pastor da Igreja Batista da Água Branca, publicou em sua página no Facebook primeiro em 2012 e em 2014 em meio às eleições daquele ano, repostou o mesmo. Resolvi postá-lo, pois a meu ver, vivemos um momento igual ou ainda mais profundo no que tange a relação entre a igreja e o Estado. Boa Leitura

Prédio da Assembleia de Deus será hospital de campanhas

Unidade ficará responsável por atendimentos clínicos.

Igreja faz leitura completa da Bíblia em live com mais de 72 horas

Objetivo foi incentivar a leitura bíblica e levantar doações para pessoas necessitadas.

Portal Ubuntu Notícias lança vídeo com mensagens de conforto de líderes religiosos

Diante do atual problema da pandemia do Corona Vírus, a blogueira pediu a líderes religiosos de diferentes fés, que gravassem e enviassem uma pequena mensagem de esperança

Mostrando postagens com marcador Mensagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mensagens. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de novembro de 2020

A CÉSAR O QUE É DE DEUS - Por Yago Martins


Foto: facebook.com/doisdedosdeteologia

 Quando Jesus diz que damos a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, ele implica que não damos a César o que é de Deus. Escrevendo aos Romanos, Paulo diz que damos aos governantes o que lhes é devido, mas nada além: imposto e obediência às leis. Pedro é mais explícito, e depois de parafrasear Paulo, diz que honramos ao rei, mas só tememos a Deus. Como pastores de almas, Jesus, Paulo e Pedro pareciam mais preocupados com a postura dos cristãos diante dos políticos do que com os resultados práticos da política. Não que este seja desimportante, mas economia e sociedade são pouco em comparação com alma e coração. Os poderes temporais vêm e vão, mas os efeitos da submissão ideológica, da adoração civil ou da escatologia secular secam o espírito até o encontro com a eternidade.


Muitos são os sinais de que damos a César o que é de Deus. É quando nos dispomos a seguir incondicionalmente. E quando proclamamos com insistência. É quando defendemos com pressa. É quando fechamos os olhos para os defeitos, e quando os defeitos se acumulam, tratamos como pouco importantes. É quando julgamos o adversário como o mal absoluto. É quando achamos que só ele pode nos salvar. É quando ele nos preocupa. É quando ele move a história para uma batalha cósmica entre bem e mal. É quando nos dedicamos a ler sobre ele mais que sobre qualquer outra coisa. É quando nos congregamos em torno de quem também o ama, e tratamos como inferiores quem está fora do grupo. É quando quem discorda é canalha. É quando quem muda de ideia vira traidor. É quando excomungo para fora da minha vida quem não o trata do mesmo modo.

Tudo pode se tornar um deus em nossos corações. Esposas, filhos, alimentos, prazeres, recursos, opiniões, sonhos... dizem que há mais ídolos que realidades no mundo. Você pode achar um político melhor que outro. Você pode dar seu voto. Mas você não dá sua devoção. Deus acima de todos, até do presidente.

Texto publicado originalmente no Instagram @doisdedosdeteologia

sexta-feira, 8 de maio de 2020

O que tenho visto na quarentena


Por Vinicius Freire

Vivemos nestes últimos meses, um tempo atípico para nossas vidas, segundo a história, apenas nas primeiras décadas do Século XX, mais precisamente nos anos de 1918 a 1920 a chamada gripe espanhola foi a última grande pandemia vivida pela humanidade, e foi tão perigosa como essa pela qual temos passado. Hoje estamos em um momento da história no qual possuímos muita tecnologia de informação, internet, computadores, smartphones fazem parte do nosso cotidiano, mas como estamos em meio a um isolamento social, isso potencializa ainda mais o tempo que já passávamos imersos na internet e nas redes sociais.

Dessa forma, pessoas que não eram tão ativas nas redes têm se tornado e aqueles que já o eram estão mais ainda. Vemos postagens de todo o tipo, especialmente sobre política. A intenção desse texto não é criticar tais posts, pois a política faz parte da vivencia na pólis, na sociedade, cada um de nós podemos e devemos exercer nosso direito a voz, afinal (ainda) vivemos em uma democracia.
Mas uma coisa que sempre me incomodou como cristão foi a relação da Igreja com a política, mais grave ainda considero a relação da Igreja com a política partidária. Entendam, não sou contrário a participação do cidadão cristão, evangélico de exercer seu direito ao voto, a participar como candidato a uma eleição, isso faz parte do exercício democrático, mas sim, do uso da instituição religiosa para se conseguir votos, ou da ideia de que a Igreja precisa governar nesta terra, uma vez que o próprio Cristo afirma que o seu “Reino não é desse mundo” ( João 18: 36 ).

Assim, o que mais tenho visto nessa quarentena, sobretudo nas redes sociais, são cristãos inclusive a grande maioria pastores, que em vez de espalhar uma mensagem de esperança ou conforto neste momento, tem se ocupado de defender o atual presidente e atacar qualquer grupo, pessoa ou partido que critique o mesmo. Boa parte da Igreja tem colocado suas esperanças em um Messias que não é aquele que morreu na cruz por nós, tem se entregado a um projeto de poder cegamente sem ao menos tentar fazer uma análise crítica dos fatos. Em meio a isso está engendrado nessa lógica, uma teologia que tem ganhado cada vez mais força no meio evangélico, a teologia do domínio. Essa teologia traz a lógica que a igreja tem que dominar todos os lugares (setores) para que o Reino de Deus se manifeste, mas na prática, é uma forma de alguns líderes religiosos conseguir manobrar seus membros para alcançar seus objetivos, o que me parece mais farisaico do que cristão, não se pode forçar um povo ou população a agir como cristão, a crer como cristão, a pensar como cristão isso é antibíblico “não por força, nem por violência, mas por meu Espírito” (Zacarias 4:6).

Portanto, em tempos de pandemia, a sociedade precisa de uma Igreja que pregue, que fale de Jesus, uma Igreja que ame, como tenho visto em alguns casos, uma Igreja que ajude aos necessitados, que entenda e colabore com as orientações dos especialistas, para que o Brasil saia dessa luta com as menores sequelas possíveis, uma Igreja que não se cale diante das injustiças praticadas sobretudo contra os mais pobres, uma Igreja de fato Cristã.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Portal Ubuntu Notícias lança vídeo com mensagens de conforto de líderes religiosos





A professora e Blogueira nova-olindense Lucélia Muniz França, administra o blog Ubuntu Notícias, no qual, possui um quadro de entrevistas. Diante do atual problema da pandemia do Corona Vírus, a blogueira pediu a líderes religiosos de diferentes fés, que gravassem e enviassem uma pequena mensagem de esperança. Em Altaneira, o Pastor Joel Gonçalves e o professor Vinicius Freire (administrador do blog Ministério Nissí Altaneira), ambos da Igreja Apostólica Liberdade Cristã, enviaram seus vídeos, na noite de ontem (25/01), a professora e blogueira postou o vídeo em seu canal no YouTube e no blog Ubuntu Notícias e também divulgou na rede social Facebook.


Líderes religiosos de Altaneira  Esq. Vinicius Freire. Dir. Pr. Joel Gonçalves
Com autorização da blogueira Lucélia, reproduziremos o vídeo logo abaixo, gostaria de agradecer a oportunidade de poder enviar uma mensagem de conforto e esperança para todos(as) que acessam o portal Ubuntu Notícias e em especial à professora Lucélia Muniz pelo convite. Participaram do vídeo os seguintes líderes religiosos: Pastor Carlos Henrique (Nova Olinda), Valmir Menezes (Espírita), Padre Anchieta Muniz, Pastor Márcio Muniz (Nova Olinda), Padre César Retrão, Pastor Joel Gonçalves (Altaneira), Vinicius Freire (Altaneira), Pastor Marcelo Beltrão e Tatá Mutaruesi (Religião de Matriz Africana). 



          

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O desfile, a Igreja e o Cristo: A polêmica da Mangueira e a contradição da Igreja



Desfile da Mangueira - Foto: Fabio Tito/G1


Graça e Paz, estamos vivendo o feriado do carnaval, feriado esse, no qual tradicionalmente, a Igreja utilizava para realizar retiros, com o intuito de “fugir” da folia e ficar reservadamente buscando a presença de Deus, afinal o carnaval é para os evangélicos, uma festa da carne. Mas o carnaval 2020 tem sido marcado por uma presença massiva dos evangélicos, de formas distintas, enquanto uns usam a “folia” para evangelizar, outros usam as redes sociais para se expressarem acerca dos desfiles das escolas de samba, dessa vez, o alvo tem sido a escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira.

A Mangueira que desfilou no último domingo (23/02), trouxe o tema da tolerância segundo seus partícipes, através da figura de Jesus Cristo, retratando o próprio Cristo como uma mulher negra, um jovem apanhando da polícia e também, crucificado e ressuscitado como um negro. Claro que a reação dos evangélicos, em sua maioria foi de condenação pela forma como Cristo fora retratado. Comentários do tipo: “De Deus não se zomba...”, “Isso foi crime de vilipêndio contra nossa fé!”, “Absurdo!”, foram os mais vistos em sites de notícias gospel e em perfis de evangélicos no Facebook.

Mas o que esses comentários realmente revelam, é um total desconhecimento histórico e da realidade social brasileira. Claramente, o desfile da Mangueira teve como objetivo o protesto ou a crítica social, mas a maioria dos evangélicos ao que me parece, não conseguem diferenciar uma critica social de um claro desrespeito à nossa fé. Como cristão, não me senti ofendido, pelo contrário, compriendi a crítica feita pela escola e me envergonhei não só das reações ao desfile, como também, pelo que tenho visto e ouvido dentro de muitas igrejas. A meu ver, maior desrespeito ao sacríficio da cruz fazem aqueles que usam a fé para enriquecimento próprio através da teologia da prosperidade, pessoas que usam a “fé” em Cristo para subirem degraus rumo ao poder político, que usam igrejas como palanque e as ovelhas de cristo como curral eleitoral. Antes de apontar aqueles que não conhecem o evangelho, temos que tirar a trave do nosso olho primeiro, tomar cuidado com o farisaísmo existente em nosso meio. Devemos lembrar também que Cristo andava com pessoas socialmente e religiosamente excluídas, como publicanos, prostitutas, leprosos, sim Cristo andava com elas e os levava ao arrependimento, a mudar de vida, mas antes disso Ele as incluía sem distinção.


Acerca do desconhecimento histórico, fica claro, uma vez que boa parte das críticas se deram ao mostrar Jesus como negro e ao criticarem Jesus Crucificado como um bandido ferido a balas, sobre isso, temos que desconstruir a imagem que temos de Cristo como branco de olhos claros, isso foi uma construção do catolicismo europeu, Jesus viveu em uma região árida, é mais provável que Jesus fosse negro, do que branco, o que não muda em nada quem Ele é e o que Ele fez por nós.
Ademais, Jesus foi crucificado, a crucificação era utilizada para punir bandidos, era a pior forma de punição utilizada pelos romanos, e por isso, Ele foi crucificado com dois ladrões, Isaías 53: 12 afirma que “...foi contado entre os transgressores...”, compreendo claro que Jesus não foi um bandido, Ele é Santo, a própria bíblia afirma que nEle não foi achada nenhuma transgressão, mas para a sociedade, para os líderes religiosos da época, a mensagem do evangelho e o próprio Jesus foram considerados perigosos, por isso lutaram tanto para que Ele fosse crucificado.

Encerro esse texto, parafraseando um colega de trabalho: O Rio de Janeiro é o Estado brasileiro com o maior número de evangélicos, e mesmo assim, continua reduto do tráfico de drogas, milícia e de políticos corruptos, o traficante é evangélico, o miliciano é evangélico, o político corrupto é evangélico, que evangelho tem sido pregado no Brasil?

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Para longe de nós com este tal de próximo!

A estrada da oportunidade de nossa vida é uma só, quem faz o caminho nesta estrada somos nós.
Por
 

O Bom Samaritano
E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? Lucas 10:25-29
Creio que esta é uma das passagens bíblicas mais amadas e conhecidas, a parábola do “Bom Samaritano”. O “Bom” fica por nossa conta, pois em nenhum momento Jesus o trata assim.
Parábolas são estórias irreais que nos trazem um ensino real.
Os ensinos rabínicos são fartos de parábolas. São parte essencial da literatura judaica, eram chamadas de “Mashal Judaico”. São utilizadas tanto no texto do Antigo Testamento como também na literatura israelita para tornar as lições mais atrativas e também facilitar a compreensão e o ensino.
Jesus, assim,  não pensou duas vezes em aplicar esta figura de linguagem para anunciar a Palavra de Deus. É comum encontrar em Seu ensino diversas parábolas, principalmente aquelas que utilizam elementos do cotidiano dos habitantes da Galiléia.
E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? Lucas 10:25-29
Creio que esta é uma das passagens bíblicas mais amadas e conhecidas, a parábola do “Bom Samaritano”. O “Bom” fica por nossa conta, pois em nenhum momento Jesus o trata assim.
Parábolas são estórias irreais que nos trazem um ensino real.
Os ensinos rabínicos são fartos de parábolas. São parte essencial da literatura judaica, eram chamadas de “Mashal Judaico”. São utilizadas tanto no texto do Antigo Testamento como também na literatura israelita para tornar as lições mais atrativas e também facilitar a compreensão e o ensino.
Jesus, assim,  não pensou duas vezes em aplicar esta figura de linguagem para anunciar a Palavra de Deus. É comum encontrar em Seu ensino diversas parábolas, principalmente aquelas que utilizam elementos do cotidiano dos habitantes da Galiléia.
Neste caso do texto acima, Jesus fora confrontado por um Doutor da Lei.
Nem todo Fariseu era um Doutor da Lei, mas praticamente, todo Doutor da Lei era um Fariseu.
A origem dos Fariseus remonta a classe mais humilde. O surgimento deles provem dos  “Perishins” (piedosos), que foram participantes da luta armada de Judas Macabeu.
Na época de Jesus eram oriundos do grupo dos artesãos, pequenos comerciantes e alguns da classe média.
Com relação às questões políticas, eles tinham o poder de manipulação do povo e de exercer autoridade sobre ele. Sem ter alternativa o povo os respeitavam, pois tinham uma pseudo autoridade politica sem exercer o poder.
A pergunta feita pelo Doutor da lei era bem proposital: “ – Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” . Existiria pergunta mais importante a ser feita? Esta é, inclusive, a dúvida de uma grande parte dos seres humanos.
Jesus, conhecendo-o lhe pergunta: “ – Que está escrito na lei? Como lês?”.  O ávido aluno logo responde com o resumo de toda a Lei: “ – E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.”. O Mestre, satisfeito com a resposta lhe orienta: “ – Respondeste bem; faze isso, e viverás.”.
Não sabemos o por quê do Doutor da Lei querer se justificar, entretanto ele faz o questionamento mais pueril que alguém poderia faze: “- Quem é o meu próximo?”.
Enquanto digitava este artigo o Espírito Santo me fez lembrar que o meu próximo é exatamente aquele que está muito perto de mim, mas que eu faço questão de não enxergá-lo.
É o meu vizinho que está envolvido com tráfico de drogas e que eu sei que a qualquer momento pode ser morto e perder a oportunidade de ser salvo, porque me sinto muito santo demais para confrontá-lo com o Evangelho de Jesus;
São meus filhos que estão perdidos dentro de casa, viciados em jogos e séries dos diversos canais da mídia digital, mas que eu não tenho coragem de dizer que se eles não se voltarem para Jesus e o convívio da comunhão da Igreja estarão perdidos.
Meu próximo é o passageiro assentado no banco ao meu lado que esteve ali, colocado pelo Senhor,  por seis horas e eu sequer puxei  conversa com ele, perdendo a chance de evangelizá-lo;
Meu próximo é um militante partidário fanático que eu preferi ofender e mandá-lo ao inferno do que amá-lo e anunciar-lhe Jesus;
São os diversos missionários ou aqueles que estão vivendo no limite, que deixaram tudo e todos para fazer a obra de Deus nos mais distantes rincões, que me pedem uma ajuda financeira e eu, mesmo tendo como ajudar no momento, digo que vou mandar o mês que vem.
Na realidade o que a gente gostaria de dizer sinceramente é: PARA LONGE DE NÓS COM ESTE TAL DE PRÓXIMO!
É triste ver na parábola que o homem caído, meio morto, não pôde ser auxiliado pelos religiosos, o Sacerdote e o Levita. A religião muitas vezes neutraliza e cega os homens.
Que se diga que ambos fizeram o certo em não auxiliar o homem, pois parecia estar morto (Quem está meio morto também está meio vivo). A lei preconizava em Números 19.11 : “ – Aquele que tocar em alguma pessoa morta se tornará impuro durante sete dias.
O Sacerdote e o Levita, segundo a Lei, fizeram o certo em abandonar o homem caído, pois se ele estivesse morto não poderiam celebrar no templo e perderiam, quem sabe, a única oportunidade de suas vidas.
Entretanto, pela mesma Estrada, vinha um Samaritano, o ser mais odiado, desprezado e discriminado pelos judeus por questões históricas de miscigenação étnica entre hebreus e babilônios.
Trazendo para nossos dias um Samaritano poderia ser  uma “Drag Queen”, um “Cracudo”, um ex Presidiário, enfim, qualquer ser por nós desprezível. Não quero aqui justificar o erro e as escolhas de ninguém, pois nem o próprio Jesus o fez na parábola, mas foi exatamente esta escória que parou tudo o que estava fazendo, desceu do cavalo, teve Íntima Compaixão, se aproximou do homem caído que fora desprezado pelo Sacerdote e Levita, curou suas feridas, tomou-o nos braços, levou para uma estalagem, pagou a despesa e ainda deixou um adiantamento para suprir futuros gastos, disse que voltaria, pois se importava com o ferido.
Nossa vida é simbolizada como uma Estrada, a estrada que vai de Jerusalém a Jericó. Só que nesta mesma estrada cada um traçará o seu Caminho. Nós é que vamos escolher se faremos o Caminho da Religião que está muito mais preocupada em fazer o que é certo, ou pavimentaremos o Caminho do Samaritano, que, entre fazer o que é Certo e fazer o Bem, escolheu fazer o Bem e ser o Próximo do necessitado.
Terminada a parábola Jesus olha bem nos olhos do Doutor da Lei e lhe pergunta: “Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.
O orgulho e ódio do Fariseu jamais permitiriam dizer que o Samaritano fora o Próximo. Assim também fica esta grande lição para todos nós, o próximo é todo aquele que escolhe fazer o Bem quando muitos, sob a desculpa de serem religiosos, escolhem não fazer nada em nome de algo que acreditam ser o certo.
A Estrada da oportunidade de nossa vida é uma só, quem faz o Caminho nesta estrada somos nós.
Sejamos sempre o próximo de alguém
Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.
Publicado originalmente no site Gospel Prime

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Homem-Aranha e conflitos da Igreja Atual

   Graça e Paz à todos, li essa mensagem no blog Belverede e achei muito interessante a reflexão que ela traz, dessa forma, resolvi posta-lá aqui em nosso blog, boa leitura e reflexão à todos.          


                      


Em agosto de 1962 chegava às bancas dos Estados Unidos a primeira história em quadrinhos do Homem-Aranha. Criado por Stan Lee e Steve Ditko, o personagem trazia uma nova temática aos gibis: os problemas comuns do ser humano.

Até então, quem lia revistas de quadrinhos nunca havia encontrado histórias nas quais o personagem tivesse a preocupação de pagar as contas no fim do mês. Ou que enfrentasse problemas para conseguir agradar a namorada. Muito menos que tivesse que driblar os valentões da escola, que o humilhavam diariamente.

E o que os criadores do Homem-Aranha fizeram foi justamente explorar esses dilemas com os quais todos vivemos, em aventuras de combate ao crime. O resultado foi tão espantoso que a fórmula se repetiu em diversas revistas. A partir daí, não era mais possível imaginar um super-herói sem crises emocionais, traumas e medos.

O interessante é que em algumas igrejas estamos vivendo um momento absolutamente inverso a tudo que pode explicar o sucesso do Homem-Aranha.

Enquanto as histórias do herói valorizam os conflitos de um ser humano comum e os problemas de alguém com “os pés no chão”, mostrando que não existe poder que dê vitórias em todas as áreas da vida, algumas igrejas e líderes religiosos fazem o discurso inverso. Insistem em seus sermões numa suposta autoridade que podemos exercer sobre Deus, pela qual temos condição de exigir alguma coisa do Criador, determinando bênçãos em nossas vidas. Para esses líderes religiosos, o cristão não vai enfrentar derrotas nunca, a menos que tenha uma fé insuficiente, fraca e pobre.

Esses aí, logo vão dizer que a morte de Jesus Cristo na cruz se deu pela falta de fé do Filho de Deus…

Voltemos aos quadrinhos do Homem-Aranha. Quando Peter Parker foi picado por uma aranha que lhe daria poderes, isso não lhe garantiu uma forma fácil de ganhar dinheiro, nem um lar rico, nem um bom círculo de amizades. Grandes poderes só trouxeram grandes responsabilidades.

E é um modelo de vida assim que encontramos nas palavras de Jesus. Falando de uma forma figurada, quando somos “picados” pelo amor de Deus, salvos por Ele, passa a correr em nossas veias um sangue que nos torna “mais que humanos”, sim. Somos filhos do Altíssimo. Ganhamos o “poder” de conversar com o Pai sem intermediários, de ouvir Sua voz, de adorá-lo e de seguirmos seus ensinamentos. Mas não ganhamos nenhuma garantia de que nossos problemas desaparecerão!

Pelo contrário, nos ensina Jesus que “no mundo teremos aflições”, e que devemos ter “bom ânimo”, porque ELE venceu o mundo. E a nossa responsabilidade é levar essa mensagem adiante.

A Bíblia ainda fala que muitos serão mortos pelo evangelho, serrados ao meio, perseguidos e injustiçados em nome de Deus. Entretanto, parece que essa mensagem não faz mais sucesso em nossos púlpitos, é evitada para não afugentar congregações que preferem se embebedar com promessas de felicidade e riqueza, entre gritos e gemidos de aleluia.

Fuja disso.

Fonte: Deus no Gibi - https:// bit.ly/ 2S5OnKQ | Autoria não identificada. 

Retirado do site: Belverede

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

31 de Outubro dia da Reforma Protestante. Temos o que comemorar?



Há exatos 501 anos o então Monge agostiniano Martinho Lutero, pregou na porta da catedral de Wittemberg as suas 95 teses, este fato é considerado o marco no movimento religioso que chamamos de Reforma Protestante, que dividiu o cristianismo ocidental entre Católicos e Protestantes e trouxe uma nova forma de leitura e interpretação bíblica, assim como uma nova forma de nos relacionarmos com Deus.

Passado tanto tempo desse fato, muita coisa mudou no mundo, inclusive dentro deste segmento religioso. Numerosas Igrejas abriram suas portas, e outras formas de interpretar e se relacionar com Deus surgiram, dentre essas, podemos destacar o grupo pentecostal e os neopentecostais, segmentos que no caso do Brasil, tem o maior número de adeptos dentre os protestantes.

Pensando no contexto em que atualmente se encontra a Igreja Brasileira, particularmente, não vejo motivos para comemorar, mas sim necessidade de reflexão e a partir da mesma, arrependimento. Arrependimento e reflexão acerca de que? Primeiramente, vejo a necessidade de arrependimento àqueles que propagam e vivem suas vidas religiosas com base na famigerada teologia da prosperidade, a mesma, nos leva a um relacionamento com Deus e com o próximo baseado naquilo que se consegue ganhar a partir dessa relação, Deus deixa de ser o Rei e Senhor e passa a ser servo, obrigado pelo (f)ato do crente dizimar. Além disso, nas Igrejas que práticam sua “fé” dessa forma, costumam enfocar o que Deus pode fazer, e não o que Ele já fez, a salvação se torna uma consequência da fidelidade ligada ao dízimo e não mais o foco central da pregação.

Essa teologia, além de tudo falado anteriormente, ainda trouxe de volta algo que o próprio Lutero condenou, a venda de indulgências. Podemos acompanhar pela televisão a venda descarada de produtos como algo sacro, como algo necessário para a salvação, o dízimo que no antigo testamento era uma forma de agradecimento a Deus e também uma forma de combater a injustiça social, se torna uma moeda de troca inclusive para a salvação.

E o que falar da relação estabelecida entre a política e a Igreja? No Brasil, temos a chamada bancada evangélica, e cada vez mais os evangélicos têm enveredado pela política, o que não deveria ser algo necessariamente negativo, afinal, vivemos em uma democracia, e ocupando lugares de poder, os mesmos poderiam tentar tornar a sociedade mais justa e igualitária. Mas o que de fato vemos, é tais parlamentares envolvidos em escandalos de corrupção (Eduardo Cunha que o diga), fora a postura adotada por praticamente todos os evangélicos nessas eleições presidenciais, não critico suas escolhas, mas sim a postura, na qual o que vi e senti, foi segregação, falta de amor e tristeza, pela postura adotada por pastores e membros de Igrejas. Aqui em meu entendimento também cabem reflexão e arrependimento.

Ao olharmos a postura do público evangélico, num contexto mais amplo, a mesma, pode ser facilmente comparada à dos fariseus dos tempos de Jesus, a religião tem ficado à frente do Evangelho de Jesus Cristo, a postura de Jesus foi de condenar pecados, mas principalmente os pecados dos religiosos, com aqueles pecadores que eram desprezados socialmente, Jesus mostrou mais misericórdia, sempre claro, incentivando a que deixassem de pecar, joão Batista por sua vez, foi muito mais incisivo até por que não dizer, rude em sua forma de pregar, sempre também falando da justiça, anunciando a vinda de Cristo e condenando a hipocrisia farisaica.

Recentemente, ouvi uma pregação que me fez muito bem, o Pastor Dino Guimarães (Igreja de Cristo – Salinas), refletiu acerca de algo muito importante, que a Igreja hoje tem dado mais ênfase no pecado, do que mesmo na salvação, e isso, é algo com que devemos nos preocupar, já pararam pra pensar porque tantas pessoas se afastam ou não se aproximam de nossas igrejas? Creio que já passou da hora da Igreja deixar de apontar com o dedo e estender as mãos, não é relativizar o pecado, mas sim focar em Jesus e em sua obra redentora, afinal é o Espirito quem convence o pecador do pecado, e ademais, o apóstolo Paulo fala que essa era a função da lei, ensinar, mostrar que opovo praticava o pecado, e se vivemos, no tempo da Graça, devemos deixar a Graça de Deus nos alcançar e por consequência, nos arrependermos de nossos pecados.

Como dito anteriormente, não vejo motivos para celebrar, creio que é hora de reflexão e arrependimento, arrependimento de sermos uma Igreja que muitas vezes cumpre apenas rituais, mas que não prática a justiça (inclusive a social), uma Igreja cheia de adornos, com muitos templos, enquanto o templo do Espírito morre de frio, fome, solidão,sede, uma Igreja que ao invés de buscar a Deus por interesses pessoais, enxergue Deus no outro, inclusive no outro que não crê como eu creio, uma Igreja que dependa exclusivamente de seu noivo, ao invés do poder terreno, uma Igreja que prátique a religião que agrada a Deus, cuidando da viúva, dos órfãos e dos pobres, uma Igreja como Jesus.

Como disse João Batista: “Deem fruto que mostre arrependimento” (Mt 3:8)





sexta-feira, 30 de março de 2018

A sexta – feira santa é realmente santa?




Por Vinicius Freire

Após falarmos um pouco sobre a Páscoa, resolvemos abordar um assunto que é um pouco mais polêmico, pois envolve uma crença baseada na tradição de muitas famílias, que tem seus “rituais” de passagem durante a sexta- feira que antecede à Pascoa, dia que lembramos da crucificação e também da morte de Jesus Cristo.

Durante a sexta-feira conhecida como “sexta da paixão”, a maioria dos brasileiros geralmente evitam comer carne (exceto peixe) e também qualquer atividade física ou comercial, mas de onde vem essa tradição? Segundo o site Católicos na Bíblia essa é uma tradição que vem desde os primórdios do Cristianismo, ligada ela a prática do Jejum, prática que passou por muitas mudanças até ser estabelecida aos católicos pelo código de Direitos Canônicos e pelo novo Código de Direitos Canônicos de 1983, instituindo a prática da abstenção de qualquer tipo de carne (inclusive peixe) e também do Jejum para os dois dias que antecedem a Páscoa.

O que a bíblia fala sobre isso? A Bíblia NÃO determina nenhuma prática específica para esta época do ano nos evangelhos nem nas cartas apostólicas, nem no livro de Atos dos Apóstolos, portanto essa prática NÃO tem base bíblica, sendo totalmente baseada na tradição católica. Nós cristãos protestantes não somos adeptos desta prática, ou seja, consumimos carne nestes dias se for de nossa vontade, pois temos consciência que não cometemos pecado, uma vez que entendemos que o Jejum deve ser uma prática rotineira independente da Páscoa. Mas salientamos que quem não consome carne neste período também não comente nenhum pecado.

E sobre a sexta feira? Podemos entender que a “sexta da paixão” é um momento sim em que todos lembramos da morte de Jesus pela proximidade com a Páscoa, mas isso não a torna mais especial ou santa, é um dia como qualquer outro, mas que está enraizado em nossa cultura como tal. Esse período geralmente vem de um período de abstenção, reflexão, falamos em amor, fraternidade, etc, mas essas reflexões e tudo isso citado devem acontecer durante todo o ano, por isso não podemos considerar hoje um dia santo, mas sim buscar a comunhão com Deus e com o próximo e a santificação todos os dias, afinal aquEle que deu sua vida em nosso favor é Santo e se O buscarmos sempre seremos santificados nEle, perdoados, aprenderemos a viver em seus ensinamentos, enfim, passaremos a pensar e ver Jesus em nós como o apóstolo Paulo bem diz em suas cartas. Nossa critica não vem no sentido de escarnecer, ou insultar ninguém, mas sim, para nos fazer refletir e para que venhamos buscar a mudança, gestacionar Cristo em nós sempre, duarante todo o ano e todos os anos.


quarta-feira, 28 de março de 2018

Páscoa: Coelho ou Cordeiro?



Por Vinicius Freire

Graça e Paz à todos, próximo domingo comemoramos o chamado Domingo de Páscoa, que tendo sua origem na religião, mas com o passar do tempo acabou sendo ressignificado para algo absolutamente comercial. Nosso objetivo com esse texto, é trazermos um resgate à origem da páscoa e pensarmos o seu significado no contexto atual e claro falarmos sobre a páscoa para nós cristãos.

A Páscoa ou Pessach é uma das festas que fazem parte do calendário Judaico, ou seja, sua origem está no Judaismo, segundo o Antigo Testamento, mais especificamente no Livro de Êxodo capítulo 12, Deus ordenou a Moisés que os hebreus, que eram escravos no Egito na época, sacrificassem um cordeiro e passassem seu sangue nos umbrais das portas para que os Hebreus fossem livres da 12ª praga que seria a morte dos primogênitos. Segundo a Própria bíblia assim foi feito, e todos os primogênitos egipcios foram mortos, porém os primogênitos hebreus continuaram vivos.

Podemos entender dessa forma, que a origem da Páscoa nada tem a ver com coelho, mas sim com a saída dos Hebreus do Egito para a terra prometida, no versículo 17
do livro de Êxodo Deus ordena ao povo que celebre a Páscoa como um memorial, e durante este período os judeus até hoje celebram essa festa que é a mais importante de seu calendário, tendo duração de 7 dias.

Para os Cristãos a Páscoa remete à morte e à ressurreição de Jesus Cristo, que segundo o Novo Testamento morreu para nos salvar dos nossos pecados, tendo ressuscitado 3 dias após sua morte, Jesus também é chamado de Cordeiro, uma referência ao cordeiro sacrificado durante a pascoa Judaica, ou seja, Jesus foi sacrificado para que nós fossemos libertos dos nossos pecados. Os evangelhos relatam que no momento em que Jesus morreu o véu do templo rasgou-se de alto a baixo, este véu separava o lugar santo, do santo dos santos no santuário, o local que era considerado pelos judeus como o local onde Deus estava presente e que só era frequentado pelo sumo sacerdote, podemos entender que este acontecimento, significa que aquilo que nos separava da presença de Deus, não podia nos separar mais, e isso, se dava a partir da morte de Jesus, do sacrifício do cordeiro Pascal.

E o ovo e o coelho? Segundo artigo do site Mundo Estranho, o ovo já era utilizado por Judeus como simbolo de Israel e o coelho representa a vida pela sua capacidade procriadora e foi também uma forma de popularizar a festa, mas no nosso contexto atual, entendemos também que a Páscoa tem se tornado cada vez mais um feriado secular e comercial.

Cabe à Igreja não permitir que a Páscoa perca seu significado, tanto histórico, no que se refere aos judeus, quanto “Espiritual” e salvífico, no que se refere a nós cristãos, em nossas Igrejas e em nossa família devemos ensinar nossos filhos que a morte e ressurreição de Jesus,  permite nos aproximar de Deus e faz com que sejamos salvos e livres do pecado, que Deus nos amou tanto que deu seu filho em sacrifício por nós como um cordeiro, o cordeiro Pascal.

Desejamos uma boa Páscoa a todos e que nos lembremos do Cordeiro!




domingo, 24 de dezembro de 2017

A Luz chegou - por Melissa Guimarães


Graça e Paz a todos, hoje véspera de Natal, compartilho com todos um vídeo que traz uma bela e profunda mensagem sobre o Natal, assim como também o vídeo mostra sobre meu entendimento dessa festa que tem é cada vez mais comercial do que mesmo cristã.

O vídeo é de Melissa Guimarães compartilhado em seu canal do YouTube, o qual deixarei o Link abaixo, assim como também de sua página no Facebook. Gostaria de agradecer a Melissa por ter nos permitido o compartilhamento do mesmo em nosso blog.
 Feliz Natal a todos!!




quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Apontar o caminho: O papel da verdadeira Igreja Cristã

por Vinicius Freire Pereira



A Bíblia é a palavra de Deus, escrita por homens inspirados por Deus, pra nós cristãos essa é uma verdade fundamental, em suas páginas ela contém histórias de homens e mulheres que foram usados por Deus nas mais diferentes funções; sacerdotes, profetas, Reis, são exemplo disso. Nela encontramos também a origem ou início da Igreja, sua organização, modo de vida, doutrinas básicas, e claro é a partir da Bíblia que conhecemos a Deus, Jesus nosso redentor e entendemos todo plano salvífico criado por Ele.
Nesta mensagem que você está lendo, a partir de um trecho específico da bíblia refletiremos um pouco mais de nossa vida como Igreja e nossa relação com Jesus.
No evangelho escrito por João no Capítulo 3 mais especificamente nos versículos 22 ao 30, nós encontramos duas características de duas Igrejas diferentes, a primeira podemos entender com a Igreja pós- moderna, essa na qual congregamos hoje, e a segunda a Igreja de cristo, cujo Ele é o cabeça e nós somos o corpo. A partir do Versículo 22 e o 23 podemos ver que Jesus e João Batista estavam batizando pessoas em regiões próximas “Depois disso Jesus foi com os seus discípulos para a terra da Judéia, onde passou algum tempo com eles e batizava.
João também estava batizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e o povo vinha para ser batizado.
Nos versos que se seguem podemos ver que os discípulos de João estavam primeiramente discutindo sobre questões religiosas, e que após isso eles vão até João dizendo que as pessoas estavam seguindo Jesus e deixando de segui-lo! “Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial. Eles se dirigiram a João e lhe disseram:Mestre, aquele homem que estava contigo no outro lado do Jordão, do qual testemunhaste, está batizando, e todos estão se dirigindo a ele” (Vs 25 e 26).
Nessa passagem acima, podemos claramente perceber a Igreja pós-moderna (a Igreja atual), pois vemos a Igreja muitas vezes mais preocupada em discussões religiosas, assim como os discípulos de João, mas o que me chama mais atenção nessa passagem é o fato dos discípulos reclamarem que as pessoas deixavam de seguir João e foram até Jesus, essa é uma das principais marcas da Igreja pós – moderna, a preocupação com o número de fiéis, o amor ou o apego a denominação e ao seu líder.
Na sequencia do texto, vemos João Batista se comportando como a verdadeira Igreja do Senhor, após ouvir a seus discípulos João os reponde demonstrando que ele não era o cristo “Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dele” (Vs 27 e 28). João retirou de si qualquer glória que poderia ser – lhe dada, e infelizmente no que hoje se chama Igreja, vemos homens lutando por honra, cobiçando cargos e títulos, disputando fiéis com unhas e dentes, buscando seus interesses, seu próprio reino, ao invés de apontar para Cristo e manifestar o Reino de Deus, ao fazermos leitura dos versos 29 e 30 nos deparamos com uma passagem conhecidíssima, muito citada inclusive até em músicas do meio gospel; “A noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua.
Ao responder dessa forma aos seus discípulos, João demonstra o verdadeiro papel da Igreja, apontar o Caminho! A alegria de João foi ver que as pessoas estavam convergindo para Cristo, ele não ficou nervoso porque as pessoas mudaram de “denominação”, nem os amaldiçoou porque estavam deixando de segui-lo, mas sim alegrou-se ao saber que seus antigos seguidores, estavam seguindo Jesus.
Essa discussão se faz cada vez mais necessária, assim como, se faz necessário que surjam vários João Batista na Igreja, para que Cristo seja o único alvo, o centro de todo louvor e ministração, que o que hoje se chama de Igreja tem desprezado. Minha oração é que essa pequena mensagem fale a cada leitor, e que possamos nos colocar na mesma posição de João Batista em nossa vida Cristã, termino essa mensagem com uma frase clichê que não deixa de ser verídica e necessária diante do que temos visto e ouvido em nossos dias: “Ministério é serviço, não ser visto”.
Publicado no site Gospel Prime

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O perdão e a cura das feridas da alma

Perdoar é muito difícil, até mesmo para os cristãos que têm como exemplo Jesus Cristo, que morreu para nos perdoar. É preciso aprender perdoar, mas como aprendemos essa difícil lição? Neste artigo trataremos do perdão como uma dádiva divina para todas as pessoas, do poder curador do perdão, também sobre a diferença entre culpa e vergonha, e dos níveis de perdão. Esperamos que a leitura reflexiva deste texto, sob ação do Espírito Santo, faça bem à sua alma.
Como Aprender a Perdoar?
Primeiro é preciso que você considere como você foi perdoado: “Sejam bondosos e compassivos uns com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (Efésios 4.32).
Quando amamos alguém de verdade é preciso aceitar a nossa própria vulnerabilidade, tirar a máscara superficial e deixar que o outro nos veja como realmente somos. Por que ferimos a quem amamos? Quando somos feridos, somos capazes de dizer e fazer coisas prejudiciais de forma violenta com as pessoas mais próximas – é nesse momento que magoamos aqueles a quem mais amamos.
Quando somos feridos, magoados, queremos “acertar as contas”, “pagar na mesma moeda”. Pensamos que fazendo isso nossa dor pode diminuir, que nos sentiremos um pouco melhor – isso não é uma verdade: “Que ninguém retribua o mal com o mal; procurai sempreo bem uns dos outros e de todos” (1Tessalonicenses 5.15).
Em certa ocasião, um soldado americano levado para guerra, e que mantinha viva a esperança de reencontrar sua noiva (que prometeta lhe esperar), recebe uma carta da então noiva, pedindo sua foto preferida que ofereceu ao noivo por ocasião de sua despedida. Junto ao pedido da devolução da foto, estava também a informação de que tal foto seria usada para o convite de casamento (com outro rapaz), que aconteceria em breve. Ferido e magoado, o soldado então conta com os amigos do alojamento para se vingar. Recolheram todas as fotos de mulheres (irmãs, namoradas, noivas) de todos os soldados, colocaram em uma caixa e o soldado a enviou para a ex-noiva com a seguinte frase: “Procure a sua, não me lembro qual é”.
Essa pequena ilustração reforça como, a princípio, o sabor da vingança parece agradável, mas no fundo a dor continua lá. Geralmente quando erram, as pessoas costumam ter dois tipos de sentimento: a culpa e a vergonha; muitas vezes tratadas como sendo a mesma coisa. Há, porém, uma diferença sutil entre elas.
A culpa é o sentimento que surge quando nos comportamos mal, e está relacionada com o que fazemos. Ela pode desempenhar um papel importante. Deus faz com que alguns de nossos comportamentos nos causem desconforto para que possamos rever e reparar danos. É um indicador de que precisamos pedir desculpas e reatar o relacionamento. Ficar remoendo as culpas não é construtivo. Culpa foi o que Davi sentiu. Suas transgressões só foram perdoadas, e seus pecados só foram apagados, depois do incômodo da culpa. É o que ele expressa no Salmo 32.
Vergonha é a sensação que surge quando não correspondemos ao que pensamos que deveríamos ser. Está ligada ao que somos. Ela causa tristeza. Vergonha foi o que Pedro sentiu ao cair em si depois de negar Jesus por três vezes (Mateus 26.75).
Muitas pessoas continuam sofrendo, desnecessariamente, quando, depois de perdoados por Deus, continuam hospedando em si a culpa e a vergonha. A culpa pode nos ajudar a sermos pessoas melhores, a vergonha nos faz duvidar de nós mesmos: “Com efeito, a tristeza, segundo Deus, produz arrependimento que leva à salvação e não volta atrás, ao passo que a tristeza segundo o mundo produz a morte” (2Coríntios 7.10).
Perdão é o remédio para a culpa. Enquanto não damos atenção à culpa, ela nos atormenta a consciência, mas se decidimos que realmente devemos tratá-la, o perdão é um excelente remédio. A culpa proveniente do amor é saudável, benéfica e nos motiva a reatar ligações rompidas com Deus, com nós mesmos e com o outro.
Há dois níveis de perdão: 1) Não pagar o mal com o mal. Isso significa perdoar quem nos magoa. 2) A reconciliação, mais profunda e mais difícil, envolve a participação de quem magoou e de quem foi magoado. O que magoou deve perceber o mal que causou e assumir a responsabilidade por ele; o magoado deve acreditar que o mal causado foi reconhecido e que há interesse em repará-lo. Quando essa mútua compreensão acontece, há a reconciliação e há a cura: “Perdoai, e vos será perdoado” (Lucas 6.37).
Não perdoar traz males à saúde do corpo e da alma. A raiva prolongada vira ressentimento e o ressentimento vira ódio. O que são ressentimentos? São lembranças rancorosas de dores passadas que não foram resolvidas. É um sentimento destrutivo capaz de causar males físicos, emocionais e espirituais. Um grande mestre escreveu: “Os ressentimentos são as irritações de ontem arranhando a membrana de nossa memória”. Há pessoas que estão convencidas de que têm todas as razões para sentir ressentimento, mas é bom lembrar: “O ressentimento leva o tolo à morte” (Jó 5.2). Pode-se construir uma prisão para si mesmo, cada mágoa será um tijolo nessa consturção. Rancores guardados acabam com a alegria da vida, tornam as pessoas amargas. Pessoas cheias de ressentimento podem ter pelo menos três tipos de comportamento: algumas vivem com eles, mas estão doentes (são pessoas que vivem de aparência); outras se fecham e se afastam (vivem isoladas – têm dificuldade de se abrir a novas amizades) ou ainda, aquelas que explodem (são agressivas e vivem de mau humor). É preciso deixar que o Senhor aplique graça às nossas mágoas, pois ela nos faz ver o perdão de Deus.
Por que será que até mesmo os cristãos têm tanta dificuldade em liberar o perdão? A Bíblia diz que quem demonstra pouco amor, também libera pouco perdão, como nos afirma o próprio Senhor Jesus: “aquele a quem pouco foi perdoado, mostra pouco amor” (Lc 7.47). Embora requeira muito esforço, o benefício do perdão recompensa, pois o verdadeiro amor cura mágoas.
Atualmente algumas pessoas têm tentado resolver seus problemas nos relacionamentos através de exercícios mentais, pensamento positivo, meditação, disciplinas, mas, se tentarmos resolver nossos problemas só racionalmente, nós conseguiremos chegar somente até certo ponto para viver melhor, mas é só através do amor perfeito de Deus por nós que podemos nos aperfeiçoar como seres humanos “A ciência incha, mas o amor edifica” (1Coríntios 8.1).
Para que haja perdão é preciso confissão sincera. Confissão não é interrogatório, tortura ou sessão de reclamação. Também não dizer a Deus o que ele não sabe, mesmo porque isso seria impossível, uma vez que o Senhor é conhecedor de todas as coisas, inclusive das nossas palavras, antes de as pronunciarmos.
A confissão é uma confiança radical na graça de Deus. Quando confessamos é como se estivéssemos dizendo: “o que eu fiz foi ruim, mas sua graça é maior do que eu, do que o meu erro, do que o meu pecado, por isso eu confesso”.
Se nosso entendimento sobre a graça for pequeno, limitado, nossa confissão também será pequena, limitada, cheia de desculpas e medo. A grande graça cria uma confissão sincera. Foi o que aconteceu com o filho pródigo (Lucas 15.18-19), com o cobrador de impostos (Lucas 18.13) e com o grande herói do Antigo Testamento, o rei Davi (Salmo 32.38 e Salmo 51).
Se enterrarmos nosso mau comportamento é só esperar pela dor que ficará alojada na nossa alma. Você está interessado em se ver livre desse mal? Solicite uma ressonanância magnética espiritual: “Sonda-me, ó Deus…”(Salmo 139).
O poder da confissão não está com quem a realiza, mas com o Deus que a ouve: “Se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1João 1.8-9). Às vezes, a confissão precisa ser também uns com os outros, assim como a Igreja Primitiva fazia (Atos 19.18-20) e assim como ensinou o apóstolo João: “Se perdoarem os pecados de alguém, estarão perdoados; se não os perdoarem, não estarão perdoados” (João 20.23).
Perdoar e Esquecer, Eis a Grande Questão
Esse é um assunto cheio de equívocos. Constantemente ouvimos a frase: “Perdoei, mas não esqueci”. Perdoar é ir contra os sentimentos que estão aflorados dentro de nós (raiva, mágoa, dor, tristeza). Esquecer é do cérebro. Mesmo que nos lembremos, perdoar significa que essa lembrança não afeta mais as nossas emoções e nosso relacionamento com quem nos ofendeu. Ela não envenena mais o coração (Hebreus 12.15).
O perdão não está em nós, está em Deus – temos de buscar. Só consegue perdoar quem experimentou e entendeu o perdão de Deus (Colossenses 2.13-14). Para que o perdão aconteça de fato, é necessário que o amor seja dado livremente, pois há poder curativo no amor: “O amor cobre multidão de pecados” (1Pedro 4.8).
Parte da cura consiste em para de se culpar pelo que aconteceu, depois de curar as feridas causadas por nossos atos, e sobretudo é preciso acordar todos os dias e optar por praticar o bem: “Façam todo o possível para viver em paz com todos” (Romanos 12.18).
Edna Lourenço
Membro da Assembleia de Deus em Mauá/SP

Compartilhe

Twitter Facebook Favorites